
Na segunda-feira, a professora Helena anunciou um trabalho especial: cada aluno devia inventar uma coisa que tornasse a vida na escola mais fácil.
A turma recebeu a ideia com entusiasmo, sobretudo porque a professora disse que o trabalho não tinha de ser escrito.
Houve quem imaginasse um robô que arrumava a sala e quem desenhasse uma máquina de distribuir bolachas.
O Joãozinho ficou calado, a olhar para a mochila, como se lá dentro estivesse a resposta ou, pelo menos, o lanche.
No dia da apresentação, apareceu com uma caixa de cartão do tamanho de uma torradeira. Tinha uma ranhura em cima, uma alavanca de madeira e um tabuleiro na parte da frente.
O Joãozinho pousou-a na secretária com um ar muito sério. A professora Helena inclinou-se para a observar, enquanto os colegas se aproximavam nas pontas dos pés.
– Como se chama a tua invenção, Joãozinho?
– Ainda não decidi. Por enquanto, chamo-lhe “a máquina”.
A professora sorriu e pediu uma demonstração. O Joãozinho tirou da mochila uma folha cuidadosamente dobrada e introduziu-a na ranhura.
Depois puxou a alavanca. A caixa fez um ruído seco, tossiu um bocadinho e devolveu a folha pelo tabuleiro.
A professora disse:
– Parece que não aconteceu grande coisa.
– Aconteceu, sim. A máquina já trabalhou.
































