Ela pegou na folha e examinou-a. Era uma ficha de Matemática, mas estava completamente em branco.
Nem uma conta, nem um nome, nem sequer uma mancha de sumo. A professora ergueu uma sobrancelha.
O Joãozinho olhou para a caixa, como se estivesse à espera de que ela defendesse o seu trabalho.
– E o que faz exatamente esta máquina?
– Poupa tempo.
– De que maneira?
O Joãozinho explicou que a ideia lhe tinha surgido na noite anterior, quando olhou para a quantidade de exercícios que tinha para fazer.
A máquina era simples: recebia uma folha, fazia um barulho convincente e devolvia-a pelo outro lado.
Ele ainda estava a pensar acrescentar uma campainha, para dar a impressão de que lá dentro trabalhava alguém muito ocupado.
A professora observou:
– Mas a folha continua por preencher.
– Claro. A máquina não faz os exercícios. Isso ia demorar imenso a inventar.
A turma riu-se. A professora tentou manter uma expressão séria, mas acabou por se rir também.
Perguntou então quem beneficiava mais com aquela invenção: os alunos ou os professores. O Joãozinho endireitou-se, satisfeito por lhe fazerem uma pergunta tão fácil, e pousou a mão sobre a alavanca.
– É uma máquina de poupar tempo: o aluno não perde tempo a fazer o trabalho e a professora não perde tempo a corrigi-lo.
































