
Na véspera da festa da paróquia, a Dona Celeste deixou um bolo enorme na sacristia. Era para ser vendido no dia seguinte, e o padre António avisou toda a gente de que não se devia tocar nele antes da hora.
Na manhã da festa, o bolo tinha desaparecido. Ficara apenas um prato vazio, algumas migalhas e uma colher lambida com um cuidado que parecia profissional.
O padre António chamou o sacristão, o Américo, que tinha a única chave da sacristia. O Américo apareceu com um ar ofendido e as mãos atrás das costas.
“Padre, se está a pensar que fui eu, fique já a saber que não fui”, declarou ele.
O padre olhou para o prato e depois para a colher. “Ainda nem lhe perguntei nada, Américo.”
“Pois, mas achei melhor adiantar-me”, respondeu o sacristão. “Assim poupamos tempo aos dois.”
O padre António tentou investigar discretamente. Perguntou à Dona Celeste se o bolo tinha sido levado para outro sítio, espreitou a despensa e até verificou se havia migalhas pelo corredor.
Não encontrou nada, excepto uma migalha no bolso do casaco do Américo, que este explicou ser “uma lembrança de um pão de terça-feira”.




























