“Às vezes confunde palavras parecidas.”
“E não há uma maneira mais simples?” perguntou o Manuel.
“Há, claro. Pode usar o ecrã táctil. Basta tocar no número três.”
O Manuel voltou a entrar no elevador. No ecrã, apareceu uma lista de opções.
Ele tocou cuidadosamente no número três e esperou, satisfeito por ter finalmente encontrado uma conversa que não exigia que falasse mais alto.
O elevador anunciou: “Destino seleccionado: piso dois.”
O Manuel olhou para o ecrã. “Eu toquei no três.”
A Teresa, ainda na recepção, respondeu: “Tem de tocar outra vez. O ecrã é daqueles que só reconhece o dedo quando lhe apetece.”
O Manuel carregou de novo. Desta vez, o elevador começou a subir e parou no terceiro piso.
As portas abriram-se com um sinal alegre, como se todo o percurso tivesse corrido exactamente como planeado.
Antes de sair, o Manuel virou-se para o painel. “Pronto, ao menos chegámos ao mesmo sítio.”
O elevador respondeu: “A sua voz foi reconhecida. Destino: recepção.”
O Manuel suspirou. “É um elevador inteligente. Só lhe falta aprender a distinguir quem está a falar com ele de quem está a tentar sair.”




























