
Na associação de adeptos do FC Porto, o Mário organizava todos os anos um quiz para angariar dinheiro para o projetor da sala.
Desta vez, prometeu um prémio tão bom que até o senhor Armando, que normalmente só aparecia quando havia café, chegou cedo e trouxe uma caneta própria.
O prémio era uma cafeteira grande, cheia de café em grão, oferecida por uma loja da terra.
O Mário pousou-a em cima de uma mesa, ao lado de uma pilha de chávenas, e explicou que haveria perguntas sobre a história da associação, noites de jogo e curiosidades que qualquer adepto atento devia conhecer.
“E se houver empate?” perguntou a Teresa, que já tinha alinhado três respostas na folha da equipa.
“Tenho uma pergunta de desempate preparada”, respondeu o Mário, com um sorriso de quem guardava um segredo importante.
O quiz começou. Na primeira ronda, as equipas acertaram em perguntas sobre festas antigas e excursões organizadas pela associação.
Na segunda, discutiram tanto uma resposta que o Mário teve de consultar a ata de uma reunião de há oito anos, guardada numa gaveta com elásticos, recibos e um pacote de bolachas já sem data de validade.
“A resposta certa estava na ata?” perguntou o Armando.
“Não”, disse o Mário. “Mas encontrei uma lista de quem ainda não pagou as quotas.”
A sala riu-se, e a Teresa aproveitou a pausa para pedir um café. O Mário apontou para a pilha de chávenas, mas ela já tinha ido buscar uma limpa à cozinha.
























