
O António era tão sportinguista que até o papagaio, o Leão, sabia dizer “Força, Sporting!”. O que ninguém conseguia explicar era o silêncio absoluto da ave sempre que começava um jogo.
Antes do apito inicial, Leão cantava, assobiava e imitava o som da chaleira. Quando a transmissão arrancava, ficava imóvel no poleiro, com a cabeça inclinada para a televisão.
O António tentou resolver o mistério à sua maneira. Aumentou o volume, mudou a televisão de sítio e até pôs o cachecol do Sporting ao lado da gaiola, para o papagaio se sentir em casa.
A ave não reagiu a nada. Só voltou a falar quando o jogo terminou, anunciando com grande clareza: “Acabou!”
Preocupado, o António levou-o à veterinária. A doutora Inês examinou-lhe as asas, espreitou-lhe o bico e ouviu-lhe a respiração.
Leão deixou-se observar com a compostura de quem tinha marcado consulta e chegado a horas.
“Há quanto tempo é que ele fica calado?” perguntou a veterinária.
“Só durante os jogos do Sporting”, respondeu o António. “No resto do dia, não se cala. Imita a campainha, a chaleira e até a minha mulher a chamar-me para jantar.”
























