A doutora Inês anotou a informação e perguntou se o papagaio também se calava quando havia jogos de outras equipas.
“Nunca fiz esse teste”, admitiu o António. “Mas, se houver um jogo importante, ele percebe logo. Eu começo a andar de um lado para o outro e ele vai para o poleiro.”
A veterinária sorriu, mas continuou o exame. Leão parecia saudável, tinha as penas brilhantes e aceitava uma semente da mão dela sem hesitar.
“Talvez fique concentrado a ouvir a transmissão”, sugeriu a doutora. “Vamos ver se responde a uma pergunta simples.”
Virou-se para o papagaio e perguntou: “Leão, estás a sentir-te doente?”
O António inclinou-se para a gaiola, à espera de uma resposta. Leão olhou para ele, depois para a veterinária, e abriu finalmente o bico.
“Eu estou bem, doutora. Fico calado porque o António fala pelos dois. Quem precisa de consulta é ele: há vinte anos que discute com a televisão e ainda pensa que ela o está a ouvir.”
























