
O Rui era carpinteiro ao sábado e benfiquista todos os dias, incluindo aqueles em que prometia não falar de futebol.
Quando a equipa amadora do bairro pediu ao curso de carpintaria um banco novo para a linha lateral, ele ofereceu-se antes de o professor acabar a frase.
O treinador explicou que precisava de um banco resistente, fácil de transportar e com lugar para os suplentes. O Rui ouviu com atenção, mas ficou sobretudo preso à palavra “banco”.
“Posso fazer um banco que dê vontade de jogar bem só para merecer um lugar nele”, garantiu.
Durante duas semanas, mediu tábuas, lixou cantos e discutiu com o professor se uma cobertura seria exagerada. O professor achava que sim.
O Rui lembrava-lhe que, à chuva, até o adepto mais entusiasta aprecia um teto.
Também instalou pequenas placas com números nos lugares, para evitar disputas. O treinador achou desnecessário, mas o Rui respondeu que, sem organização, qualquer banco podia transformar-se numa bancada em miniatura.
No dia da entrega, a equipa reuniu-se no campo para experimentar a peça. O banco era comprido, firme e tinha uma cobertura simples.
O treinador sentou-se, bateu duas vezes na madeira e aprovou o trabalho.
























