“Está excelente, Rui. Só não percebo por que puseste números nos lugares.”
“Para cada jogador saber onde se senta quando é substituído”, explicou Rui. “E para ninguém reclamar que ficou com o lugar pior.”
O treinador pediu aos suplentes que experimentassem. Sentaram-se todos, alinharam as costas e elogiaram o apoio.
Um dos titulares, que passava por ali, parou para ver a construção e acabou também sentado, só para testar.
Depois veio outro. E mais outro.
Em poucos minutos, metade da equipa estava no banco, embora o treino ainda nem tivesse começado.
O treinador chamou-os para o relvado. Eles levantaram-se devagar, mas começaram a negociar: queriam fazer os exercícios perto do banco e voltar a sentar-se logo a seguir.
O Rui observava, satisfeito, como quem vê uma obra a cumprir exatamente a sua função.
“Rui, fizeste um banco tão confortável que os meus jogadores já não querem sair dele”, queixou-se o treinador.
O Rui olhou para a equipa, depois para o banco, e encolheu os ombros: “Eu só queria que o Benfica tivesse mais adeptos no bairro. Pelos vistos, acabei foi por arranjar uma equipa inteira que gosta de ficar no banco.”
























